terça-feira, 3 de maio de 2016

Opinião/ Política: GOVERNO ANTIDEMOCRÁTICO VS MANIFESTAÇÃO




GOVERNO ANTIDEMOCRÁTICO VS MANIFESTAÇÃO

Autor: Alberto Massango

 

Perante a actual crise económica que o país vive, as pessoas viram a necessidade de levar a cabo uma marcha popular, com vista a se resolver os problemas que enfermam a nação moçambicana. No entanto, o Governo, através das suas forças policiais fortemente armadas, intimidou aqueles cidadãos que, simplesmente, pretendiam exigir explicações lógicas sobre as dívidas contraídas pelo Governo de Guebuza. Isto é suficiente para se afirmar que o Governo esqueceu ou não sabe que a manifestação faz parte do exercício democrático. 

O incrível no meio disto deve-se ao facto de o Governo mobilizar forças fortemente armadas para a paralisação das manifestações. Ou seja, quando as pessoas mostram a sua indignação, exigindo explicações sobre as dívidas que o antigo Governo contraiu, sem ter dado explicações ao parlamento, são barradas de todas maneiras, como se fossem criminosas e, enquanto isso, os verdadeiros criminosos estão a solta, por aí, fumando charutos em mansões de luxo.

Na cidade capital, bem como em outras províncias do país, assiste-se quase sempre aos raptos, sequestros, roubos envolvendo quadrilhas, tráfico de drogas e órgãos humanos. Contudo, a mesma força policial, que é dada a missão de barrar as pessoas quando se manifestam justamente dentro do seu próprio território, não se faz ao terreno quando a questão é fazer face aos crimes acima mencionados.

As pessoas, dentro de estados democráticos, têm o direito à marcha e liberdade de expressão, portanto, tal como reza a Historia, o uso de forças policiais em marchas populares é característico de regimes terroristas e ditadores. Agora, cabe a nós definirmos o tipo de Estado que somos, democrático o ditador?   
Temos direito à manifestação e não devíamos ser barrados por isso, pois a nossa indignação surge no contexto destas notícias sobre dívidas ocultas, contraída por um grupo de pessoas munido de interesses próprios.

Temos direito à manifestação, na medida em que nós, como povo deste país, seremos obrigados a pagar esta gorda dívida que beneficiou a determinadas pessoas, que abusaram do poder e dos interesses do Estado. Portanto, de todas formas possíveis, temos o direito a manifestação e liberdade de expressão, pois somos os lesados nesta desordem económica que se o país vive.   

VANDALIZAÇÃO NÃO DIGNIFICA MANIFESTAÇÃO
O oportunismo tem sido o grande inimigo das manifestações populares em Moçambique, pois temos pessoas que, ao invés de se focarem na causa comum do povo, que é dizer não à corrupção, não ao roubo legalizado ou fora a má governação, se dedicam ao “saque”, tornando, desta forma, as manifestações em festas de roubo, violência e vandalismo.

Assim sendo, há necessidade de se combater esta postura para que as nossas marchas sejam realmente justas e pacíficas. Para tal, deve-se, em primeiro lugar, segundo Vladimir Lenine, na sua obra intitulada O Trabalho do Partido entre as Massas, preparar as manifestações muito antes da hora proposta, bem como se preparar uma organização tão numerosa, que possa aplicar uma rigorosa divisão do trabalho nos diferentes aspectos da nossa manifestação.


“Deve-se preparar uma organização sistemática para desorientar aos que vandalizam e criam desordem, assim como para se desnortear a polícia de tal modo que não se caia nas suas malhas”, escreve Lenine.      

De acordo com autor, se existe uma organização entre os manifestantes, cada marcha pode converter-se numa demonstração política, que poderia obrigar o Governo a responder às inquietações do povo.

No caso de Moçambique, quem sabe, o Governo dar-nos-ia uma solução palpável para a actual crise económica sem que o povo seja o principal lesado. Talvez a Procuradoria-geral da República de Moçambique (PGR), como órgão soberano e que diz já estar a averiguar os contornos do caso, indiciaria os principais mentores da dívida para um breve esclarecimento. 

Em linhas gerais, para que as nossas manifestações sejam bem-sucedidas, é necessário que as mesmas sejam organizadas com muito tempo de antecedência, tendo-se em conta o vandalismo protagonizado por algumas pessoas.


Se assim for, irmãos, tenham a certeza que nenhuma força policial poderá nos intimidar, pois estaremos preparados o suficiente para enfrentar qualquer obstáculo ao longo da marcha, que nos dignifica como cidadãos moçambicanos em prol da democracia.


                                                                                           

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Opinião/ Educação:O Curso de Licenciatura em História: Realidade e Utopia (ou simplesmente “Ecos da Segunda Oficina de História”)



O Curso de Licenciatura em História: Realidade e Utopia (ou simplesmente “Ecos da Segunda Oficina de História”)

                                                       Por: Lino António Guirrungo*

No dia 18 de Dezembro de 2015 participei da „2ª Oficina de História‟, que teve lugar na Sala de Leitura do Arquivo Histórico de Moçambique (AHM), subordinada ao tema „Como arranjar emprego em História?‟. O evento foi organizado pela “Oficina de História (Moçambique)”, um movimento criado por jovens estudantes do Departamento de História da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e da Universidade Pedagógica (UP).

A singularidade do evento está no facto de ter conseguido reunir um painel de jovens recém-licenciados (dr. Herman Tinosse & dr. Maider Mavie), que singraram no mercado laboral, associados a um professor já com larga experiência (Prof. Dr. Eléusio dos Prazeres Viegas). Para além disso, a „2ª Oficina de História‟ foi notavelmente transversal ao campo do Curso de História ao conseguir atrair diferentes grupos de pessoas, muitos deles formados em áreas alheias àquela ciência social.

Do que se pôde depreender da cerimónia, não existe uma, fórmula mágica‟ que garanta que todos os formados em História possam automaticamente conseguir um emprego. Ainda assim, num olhar mais optimista do problema, os intervenientes concordaram que é possível criar diferentes soluções que proporcionam maiores possibilidades de sucesso no ramo laboral. Na minha opinião, as soluções apresentadas podem ser sintetizadas de duas maneiras: i) soluções estruturais e ii) soluções conjunturais.

O primeiro grupo de soluções aponta para o melhoramento do currículo do Curso de Licenciatura em História. Nesta perspectiva, decepcionante para aqueles que já fizeram a formação dado que não seriam afectados pela solução, o Curso de História, particularmente leccionado na UEM, deve ser reelaborado no sentido de permitir que o mesmo esteja mais próximo das exigências do mercado. Pelo que notei dos participantes, os estudantes formados em História na maior universidade pública do país, ainda mesmo no ingresso na universidade, ficam a saber que o seu curso é uma espécie de „limbo‟, isto é, um curso que não permite indicar de forma certa em que áreas poderão actuar (tal como ocorre com os formados, por exemplo, em Contabilidade ou Direito).



Se, por um lado, os estudantes formados na Universidade Eduardo Mondlane não podem ser considerados professores por excelência, uma vez que a Universidade Pedagógica já oferece aquela especialidade, ou ainda, por outro lado, documentalistas ou arquivistas, dado que existem também escolas de formação que se dedicam exclusivamente nessas áreas, estes ficam no vazio alimentado apenas pela retórica de que «o formado em História pode trabalhar em qualquer lugar».


É por isso que falo da condição de limbo na qual os estudantes de História da UEM estão inseridos. Eles podem actuar em qualquer sector (ou seja, nada está „prédefinido‟), desde que se reinventem nesse sentido. Creio que esta característica da História é bastante vantajosa dado que permite aos seus formados encontrarem um enquadramento em diferentes sectores laborais. A prova disso pode se encontrar nos próprios oradores da „2ª Oficina de História‟, já que dois deles actuam em áreas indirectamente distanciadas da História. No entanto, considero perigoso que os estudantes em História se acomodem aos lugares-comuns, como indicado pela frase citada no parágrafo anterior.

É preciso uma reinvenção curricular do Curso de Licenciatura em História que indique de forma relativamente clara e realista em que áreas poderão actuar os seus formados. Obviamente que não se pode esperar que isso ocorra da mesma forma como decorre com os estudantes de Veterinária, Contabilidade ou Direito. Não obstante, contrariamente ao apontado por um dos intervenientes do evento, não acredito que o facto de eu estudar a História da Logística em Moçambique ou a História das Transacções Comerciais faz de mim um especialista em gestão ou contabilidade. Não me parece realístico colocar as coisas dessa
forma.

O segundo grupo de soluções aponta para a criatividade individual na busca pelo emprego. Como mencionado no evento, o desemprego é um problema geral mas também apresenta especificidades para os formados em História (por algumas razões já acima indicadas). Neste sentido, foi apelado que os estudantes (ou os já formados) estejam bem claros daquilo que querem dos seus futuros profissionais de modo que criem soluções inovadoras na busca pelas oportunidades de emprego.



A solicitação apresentada na cerimónia é bastante salutar porque incentivou que os estudantes (ou formados) em História procurem criar projectos de pesquisas que mostrem viabilidades para a mudança social. Além disso, dada a transversalidade ou „omnipresença‟ (como sarcasticamente cunhada por um dos intervenientes do evento) da História, foi dito que era possível os formados em História trabalharem em áreas que de antemão fogem da sua zona de conforto (pesquisa, documentação/arquivística, ensino). Ainda nesta segunda perspectiva de soluções, acredito que os intervenientes da „2ª Oficina de História‟ tenham ignorado ou deixado de enfatizar alguns aspectos na solução do problema em questão.
 
O primeiro aspecto que importante é o apoio que os formados em História devem receber, tanto institucional como de particulares. Por apoio institucional refiro-me à criação de estágios profissionais para os estudantes do Curso de Licenciatura em História, organizados por parcerias da própria Universidade (ou do departamento que tutela o curso) com as empresas. O apoio de particulares, dependente das relações sociais que os estudantes criam ao longo da formação, está ligado ao apadrinhamento por parte de professores ou outras individualidades aos estudantes tidos como esforçados.

Entretanto, reconhecendo a dificuldade de implementar as soluções acima, é preciso que os formados aprendam com urgência a fazer os documentos necessários na busca por oportunidades de trabalho (CV‟s, cartas de apresentação, cartas de pedido de estágios, etc.). Em caso de desconhecimento, hoje em dia, a internet é uma excelente plataforma para iniciar as primeiras buscas. Ou, como indicado por um dos participantes da cerimónia, os formados devem procurar obter as informações sobre como redigir tais documentos em pessoas mais experientes. Em virtude da pouca experiência que os formados possuem, é essencial que estes participem de grupos voluntários ou de formações gratuitas ou monetariamente acessíveis como forma de enriquecer os seus currículos.

É igualmente importante que os formados em História não se desesperem mas que permaneçam firmes e convictos na busca por oportunidades de trabalho. Até porque aqueles que não concebem utopias as quais se agarrem, facilmente temem o futuro ou vivem de remorsos do seu passado.

* (Licenciado em História pela Universidade Eduardo Mondlane [UEM])

domingo, 29 de novembro de 2015

Resumo:"Das Independências às Liberdades", de Severino Ngoenha

Um breve resumo de "Das Independências às Liberdades", de Severino  Ngoenha 



Introito:

Das Independências às Liberdades é uma obra do filósofo moçambicano Severino Elias Ngoenha. Num contexto em que urge a necessidade de uma reflexão sobre os conceitos Liberdade e Independência no panorama do pensamento africano, Severino Ngoenha discute a liberdade como a base da historicidade dos africanos, assinalando-a, também, como característica humana por excelência. O autor pretende, ao mesmo tempo, debater a questão do futuro nas sociedades africanas, num contexto em que os próprios africanos são chamados a ser mestres dos seus destinos,responsáveis pela construção de um futuro diferente. O autor enaltece o papel da filosofia num contextoincipiente como o das nações africanas, marcado ainda pela dependência ideológica e, sobretudo, económica.

Palavras-chave: Filosofia, Etnofilosofia, futuro, africano e utopia

O pensamento de Severino Elias Ngoenha enquadra-se, sem dúvida, no contexto em que o autor está inserido. Como a tradição filosófica hegeliana manda, Ngoenha é “filho do seu tempo” e, por tal, procurara discutir e, sobretudo, problematizar a sua realidade (Moçambicana, africana no geral), partindo de um contexto histórico marcado por um passado de colonização dos africanos.

Ciente da sua missão enquanto filósofo, logo na introdução, Ngoenhapostula a ideia de que cada sociedade tem a missão de definir seus objetivos, ambicionando legar à humanidade asua contribuição histórica no universo da existência humana.

“ À nossa geração incumbe a árdua tarefa de participar na elaboração de um futuro diferente do presente, que nos é dado viver e observar. Desde a meio século que vivemos o escândalo da fome, da ignorância, da mortalidade infantil da má nutrição de um nível de vida que não para de degradar” (NGOENHA, 2014:05)          

No contexto do desenvolvimento científico, várias teorias, de certa forma etnocêntricas, são desenvolvidas para legitimar a subjugação do negro, reafirmando sua posição inferior em relação ao branco.    
Ao analisar o primeiro meio século das independências dos países africanos, que começam, na sua maioria, na década 60, Ngoenha confronta-se com o problema da condição pouco evoluída da atualidade 

É que, segundo Ngoenha (2014), os países africanos optaram por variados modelos para o desenvolvimento social e económico, entretanto, pouco funcionou e, na sua maioria, os níveis de vida das sociedades que neles habitam ainda são muito baixos.     

1.Reformulação dos Projetos Africanos; Otimismo no Futuro

Num outro desenvolvimento, Ngoenha interrogar-se sobra a causa dos“insucesso” dos projetos africanos, levantando a questão: serão estes 50 anos um tempo perdido?

Na esteira desta ideia, o autor propõem uma rápida e urgente reformulação da nossa direção (enquanto moçambicanos, africanos no geral). Estendendo seu pensamento para o futuro, o autor convida-nos a olhar para o amanhã, depositando nele um certo optimismo.  

Para Ngoenha (2014), esta não é a primeira vez que o futuro torna-se o centro de debate. Mas, certamente, a primeira vez que ele é suscetível de ser encarado de maneira filosófica.

“De qualquer maneira, nossa missão é o futuro. E para que ele melhor se realize cada um é chamado a dar o melhor de si, no lugar onde se encontra” (NGOENHA, 2014: 06)




2.Eleição como a Escolha de um Futuro
Ngoenha entende que a reflexão sobre o futuro é demasiadamente complexa e nos chama a analisar possibilidade, tendo em conta a ideia da escola como um elemento para a introdução um código de ético e de cidadania, no processo da edificação da moçambicanidade.

É impossível pensarmos no futuro sem pensarmos nos projetos políticos que, a bom fim, regem a nossa existência enquanto sociedade, constata o autor.

Ngoenha entende que o momento da democracia é um momento de se confiar ao povo o poder, em termos teóricos, de decidirem pelo tipo de projeto político que querem, destacando também que a democracia é por excelência um problema do filosófico.

Para ao autor, quando em outubro de 1994 realizam-se as primeiras eleições em Moçambique levantava-se um aspeto importante, a questão da escolha adequada de um projeto político que norteasse o país.

“Assim, devemos julgar os partidos políticos em função dos projetos de sociedade que eles apresentam” (NGOENHA, 2014: 07)   

Para o autor, não escolhemos os governantes pela beleza que têm, pela cor das bandeiras dos seus partidos, mas, em princípio, por de trás de cada partido há ideias e propostas de um tipo de sociedade na conjuntura que estamos a trilhar.

Ngoenha entendeque quando damos o nosso voto a um partido significa que nós nos identificamos ou pensamos que, entre os projetos políticos que se nos apresentam sob forma de partido, aquele que escolhemos é o mais adequado para levar a, bom fim, as vontades do povo.

Ao interrogar-se sobre o valor das eleições de 1994 e, consequentemente, também sobre o valor de todos outros processos eleitorais que viriam a ser acompanhados por grandes transformações constitucionais em Moçambique, Ngoenha conclui que a crença num futuro melhor constitui uma forma de encarar a dura realidade da existência.

Citando Ray Bradbury, Ngoenha (2014) indica que ser capaz de fantasiar o futuro significa, em outros termos, ser capaz de sobreviver. Segundo o autor, os nossos sonhos estimulam, antecipam e favorecem a afirmação e o progresso da sociedade e é preciso e necessário reinventar o futuro para salvaguardamos a ideia de o amanhã ser diferente do passado. 

“O Futuro é o conjunto de projetos, de possíveis, de esperanças, de liberdade, porque temos de escolher entre os diferentes possíveis ou criar outros”( NGOENHA, 2014:10)  
             
Para o autor, a única forma que existe para que se garanta uma evolução na nossa vida enquanto sociedade e para que sejamos autores do nossa história, donos do nosso destino, é continuarmos a debater a nossa história, evitando, portanto, que ela seja apenas uma continuidade de um passado indesejado.

3. A Utopia, uma outra Forma de Pensar o Futuro

Ngoenha entende que a outra maneira de pensarmos o futuro é a utopia, que a considera-acapacidade de antecipar conteúdos concretos que se realizarão no futuro mais ou menos longínquo. É, de certa forma, uma fé racional, numa realidade não existente mas potencial, que representa um bem para quem a sustenta.

“A utopia é, sem dúvida, uma força fecunda da história, se for orientada e potenciada por uma verdadeira consciência humana. Isto pode justificar uma visão do homo utopicuscomo profeta do futuro, edo utopismo como uma corrente de pensamento que usa a esperança de maneira atenta e libertadora”.(NGOENHA,2014: 165) 

Para Ngoenha, a cidade utópica,assim como observaram, Platão, T. More, por exemplo, só pode acolher a fantasia política de um único utopista, porque só ele antevê a verdadeira forma de Estado e só ele encontrou a solução.

Assim sendo, acidade utópica é, na perspectiva de Ngoenha, o sonho de um só homem e seus habitantes carecem de uma dimensão histórica. Neste ponto, se pode avançar, encontramos uma certa debilidade da utopia. A mesma torna a história uma história sem nomes.

Ngoenha observa que os líderes nacionalistas africanos que lutavam pelas independências foram homens que tiveram sonhos ilustres e, sobretudo, tiveram a coragem de lutar para transformar os próprios sonhos em realidade.
Entretanto, após alcançadas as independências e no delírio de alcançar os seus sonhos, transformaram muitas vezes os próprios povos em instrumentos de realização das suas utopias.

E como na cidade utópica não se admite um segundo sonho, todos aqueles que ousarem sonhar diferente, pôr em dúvida a utopia dos dirigentes, foram vítimas da “ortodoxia utópica” dos primeiros, as revoluções tornaram-se opressões e os libertadores em opressores.

   Não obstante, Ngoenha destaca nossa responsabilidade como responsáveis da nossa história, fazedores do factos, pelo que responsáveis pelos contornos da nossa vida enquanto seres sociais.

“ A filosofia torna possível a vida do homem, porque lhe permite imaginar, projetar o futuro e enfrentá-lo. O pensamento, a filosofia, torna possível o amanhã. Mas, ao mesmo tempo, interroga-se sobre o tipo de amanhã”( NGOENHA, 2014: 11)

            O autor observa que a filosofia africana, por excelência, teve sempre esta preocupação com o futuro, tanto que muitas, segundo ele, das literaturas filosóficas africanas têm como denominador comum essa questão.

Aliás, mesmo as perspetivas críticas sobre a etnofilosofia de Towa e de Hountondji parecem ver no futuro a solução para superação desse conceito que, de certa forma, é pejorativo.       


Referências Bibliográfica:
NGOENHA, Severino. Das Independência às Liberdades, [S/E]. Maputo:Paulinas,2014




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